Se você gosta de fotos históricas, veja essas fotos tiradas entre 1909 e 1912 pelo fotógrafo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944). Na época (que antecede a revolução russa e a primeira guerra), o efeito colorido foi conseguido com uma máquina que tira três fotos em branco-e-preto rapidamente em seqüência, cada uma com um filtro distinto (azul, verde e vermelho). Para ver todas, clique aqui.
Notícias curtas de divulgação científica: avanços, retrocessos e uma paradinha para o café.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Império russo em cores, há cem anos atrás
Se você gosta de fotos históricas, veja essas fotos tiradas entre 1909 e 1912 pelo fotógrafo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944). Na época (que antecede a revolução russa e a primeira guerra), o efeito colorido foi conseguido com uma máquina que tira três fotos em branco-e-preto rapidamente em seqüência, cada uma com um filtro distinto (azul, verde e vermelho). Para ver todas, clique aqui.
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
E pur si muove
Três notícias na Folha.com sobre fraudes científicas. O título acima quer dizer "e ainda assim, move-se", pois apesar de sempre ter havido fraudes cedo ou tarde elas são detectadas. E uma fraude nunca é pervasiva o suficiente para questionar a legitimidade de toda a área, graças à competição entre cientistas.
Cresce a fraude em ciência - e no Brasil? - 18/08/2010:

Cresce a fraude em ciência - e no Brasil? - 18/08/2010:
Preste atenção neste assunto: fraudes em pesquisas científicas. Elas estão aumentando e vão continuar assim, dada a competição feroz por reputação e verbas nesse campo da criatividade humana. Nada menos que 72% dos pesquisadores incluídos numa revisão ampla de 2009 afirmam já ter presenciado algum tipo de má conduta. As falcatruas vão de pecados veniais, como a inclusão honorária de autores que não participaram de um estudo, a pecados capitais, como falsificar ou fabricar dados.Má conduta científica triplica em 16 anos nos EUA - 18/08/2010:
Nas faculdades de medicina brasileiras, por exemplo, é prática comum pôr o nome do chefe da cadeira entre as assinaturas de um artigo científico, mesmo que ele não tenha noção do que vai escrito ali. Há quem defenda a aberração, argumentando que o fulano criou as condições para que a pesquisa fosse realizada.
Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores. Casos como o de Marc Hauser, biólogo afastado de Harvard há uma semana acusado de distorcer dados em uma pesquisa sobre aprendizado em pequenos macacos, quase triplicaram nos últimos 16 anos.Denúncias de fraudes no Brasil envolveram alto escalão da USP - 18/08/2010:
Em 1993, quando o governo federal dos EUA criou uma agência para o assunto, a ORI (Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês), foram relatadas 86 denúncias de desvios. Em 2009, foram 217, número recorde. O país gastou cerca de US$ 110 milhões investigando esses casos. Historicamente, um terço das investigações resulta em punição --em geral, afastamento de cargos e verbas públicas.
O Brasil foi eficiente criando comitês de ética (há 592 ligados à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, a Conep), mas eles atuam principalmente aprovando estudos com voluntários e cobaias. No que se refere às fraudes, a situação é diferente. Dois casos impunes de plágio se destacaram nos últimos anos, ambos envolvendo o alto escalão da USP.
Em 2009, a reitora Suely Vilela foi denunciada por ser coautora de um trabalho que utilizava figuras de um estudo de 2003 da UFRJ. Não houve punição. O outro caso, de 2007, envolveu o diretor do Instituto de Física, Alejandro Szanto de Toledo, e Nelson Carlin Filho, vice-diretor da Fuvest. Eles publicaram um artigo que tinha parágrafos inteiros copiados de trabalho anterior de um colega.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Nem tudo o que parece é Ciência
Fiquei sabendo via twitter do programa "Fronteiras da Ciência", realizado pela rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O programa tem a nobre missão de separar a Ciência da pseudociência, a realidade da ficção. Você pode ouvir os podcasts (gravações das entrevistas) de aproximadamente 30 minutos aqui, e há também leituras complementares.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Tributo a Escher em 3D
Confira esta imagem panorâmica gerada por computador que nos permite passear pelo mundo fantástico de Escher (autor da gravura acima).
Fonte: 360 cities (via Daniel Ferrante)
Crédito da imagem: David Airey
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sábado, 31 de julho de 2010
Sobre a situação científica do Brasil
Duas notas da Folha Online sobre o encontro da SBPC. A primeira é sobre o desempenho de várias áreas acadêmicas no Brasil:

Se todos os pesquisadores brasileiros produzissem como os da área de ciências agrárias, o peso científico do país hoje seria equivalente ao da França. Já campos como psicologia, economia e ciências sociais, bem inferiores à média nacional, puxam a produtividade para baixo.Há um infográfico interessante na matéria. A outra notícia é sobre a queda em 80% no número de bolsas de doutorado integral no exterior (onde o pesquisador completa os estudos e conquista um diploma em universidades fora do Brasil):
Os dados que permitem essas conclusões foram apresentados pelo presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Carlos Aragão, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal (RN). A medida usada nas estatísticas é o número de artigos publicados em revistas científicas mundo afora, indexados (cadastrados) em bases de dados internacionais. (...)
Segundo ele [o bioquímico Rogério Meneghini], a baixa produção das ciências humanas se relaciona com a dedicação maior dos pesquisadores da área aos livros e coletâneas. "Em outros lugares, como a Espanha, não é assim. Mesmo na França, de onde o Brasil herdou boa parte dessa sua maneira de fazer ciências humanas, o perfil da produção já está mudando", diz.
Além disso, faria bem para a ciência brasileira que todas as suas áreas passassem a publicar mais em inglês, dizem os especialistas.
Segundo dados apresentados na conferência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Natal, entre 1992 e 2007 o número de bolsas do CNPq no exterior caiu de quase 2.800 para cerca de 500 --um tombo de mais de 80%.
Já o doutorado-sanduíche, em que o aluno fica parte do curso fora do Brasil, teve um ligeiro crescimento no período. Hoje há cerca de 5.000 alunos na modalidade. Desde 2007, as bolsas integrais recebem menos dinheiro do CNPq do que as chamadas bolsas-sanduíche.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
[curta ciência] I see dead viruses
Três comentários rápidos:

- Estudos preliminares encontraram algas unicelulares dentro de células de embriões de salamandra. Não em volta do embrião como se poderia esperar, mas dentro das células - seria o primeiro caso em vertebrados, dada a existência do sistema imune adaptativo.
- Sabe-se que o vírus HIV-1, causador da AIDS, invadiu a população humana a partir de chimpanzés no início do século passado. Chimpanzés e outros macacos são infectados pelo SIV (vírus da imunodeficiência símia), e um trabalho apresentado recentemente (mas não publicado ainda) mostra que esse vírus circula entre macacos há muito mais tempo. A transmissão para o chimpanzé, por exemplo, foi há no mínimo vinte mil anos atrás - utilizando uma análise de calibração molecular que ainda vai ser posta à prova por outros pesquisadores.
- Há alguns vírus (como o HIV-1 citado acima) que integram seu material genético no genoma do hospedeiro - ou seja, faz parte do processo de transmissão "enfiar" seus genes no meio do genoma do organismo infectado. Esse não é o caso dos vírus de RNA pertencentes aos grupos Filovírus e Bornavírus (causadores, por exemplo, de doenças neurológicas e febres hemorrágicas). Assim é surpreendente a descoberta de "fósseis" desses vírus nos genomas de vários vertebrados: em 19 espécies de vertebrados (dos quais conhecemos o genoma completo) foram encontradas 80 sequências virais integradas. Essas integrações aconteceram há até mesmo 40 milhões de anos atrás, e apesar de não se saber como os vírus foram parar lá, suspeita-se que conferem alguma vantagem ao hospedeiro (como por exemplo "competir" com outros virus, defendendo assim o hospedeiro).
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Menos verde no mar
O fitoplâncton, responsável pela produção de aproximadamente metade da matéria orgânica terrestre e da maioria do seu oxigênio, está desaparecendo. Seu número tem diminuído 1% por ano nos últimos cem anos, e essa taxa aumenta com o aumento da temperatura. Há regiões em que o declínio das populações de fitoplâncton é maior - próximo aos polos e em mar aberto - e outras em que houve um aumento, como em áreas costeiras com certos dejetos industriais. Esses resultados se baseiam em medidas de transparência da água, medição direta da quantidade de clorofila em amostras e dados de satélite.
Outro trabalho do mesmo grupo focou na distribuição de várias espécies marinhas, desde corais e algas até tubarões e baleias. Os animais com maior mobilidade como a baleia, o atum e a lula se concentram e áreas mais longe do Equador, e apesar de haver vários outros fatores relacionados com a distribuição dessas espécies (como diversidade ecológica, disponibilidade de oxigênio), a variável que mais influencia os padrões observados é a temperatura na superfície marinha.
Fonte: Not Exaclty Rocket Science (by Ed Yong)
Artigo Original: doi:10.1038/nature09268 e doi:10.1038/nature09329 (acesso restrito a assinantes)
Crédito da Imagem: NASA Earth Observatory Collection e Harry Taylor/Nikon Small World (via Science NOW)
Para saber mais: Science Daily (aqui também), Science NOW, Nature News

Outro trabalho do mesmo grupo focou na distribuição de várias espécies marinhas, desde corais e algas até tubarões e baleias. Os animais com maior mobilidade como a baleia, o atum e a lula se concentram e áreas mais longe do Equador, e apesar de haver vários outros fatores relacionados com a distribuição dessas espécies (como diversidade ecológica, disponibilidade de oxigênio), a variável que mais influencia os padrões observados é a temperatura na superfície marinha.
Fonte: Not Exaclty Rocket Science (by Ed Yong)
Artigo Original: doi:10.1038/nature09268 e doi:10.1038/nature09329 (acesso restrito a assinantes)
Crédito da Imagem: NASA Earth Observatory Collection e Harry Taylor/Nikon Small World (via Science NOW)
Para saber mais: Science Daily (aqui também), Science NOW, Nature News
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