quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Império russo em cores, há cem anos atrás


Se você gosta de fotos históricas, veja essas fotos tiradas entre 1909 e 1912 pelo fotógrafo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944). Na época (que antecede a revolução russa e a primeira guerra), o efeito colorido foi conseguido com uma máquina que tira três fotos em branco-e-preto rapidamente em seqüência, cada uma com um filtro distinto (azul, verde e vermelho). Para ver todas, clique aqui.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E pur si muove

Três notícias na Folha.com sobre fraudes científicas. O título acima quer dizer "e ainda assim, move-se", pois apesar de sempre ter havido fraudes cedo ou tarde elas são detectadas. E uma fraude nunca é pervasiva o suficiente para questionar a legitimidade de toda a área, graças à competição entre cientistas.

Cresce a fraude em ciência - e no Brasil? - 18/08/2010:
Preste atenção neste assunto: fraudes em pesquisas científicas. Elas estão aumentando e vão continuar assim, dada a competição feroz por reputação e verbas nesse campo da criatividade humana. Nada menos que 72% dos pesquisadores incluídos numa revisão ampla de 2009 afirmam já ter presenciado algum tipo de má conduta. As falcatruas vão de pecados veniais, como a inclusão honorária de autores que não participaram de um estudo, a pecados capitais, como falsificar ou fabricar dados.

Nas faculdades de medicina brasileiras, por exemplo, é prática comum pôr o nome do chefe da cadeira entre as assinaturas de um artigo científico, mesmo que ele não tenha noção do que vai escrito ali. Há quem defenda a aberração, argumentando que o fulano criou as condições para que a pesquisa fosse realizada.
Má conduta científica triplica em 16 anos nos EUA - 18/08/2010:
Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores. Casos como o de Marc Hauser, biólogo afastado de Harvard há uma semana acusado de distorcer dados em uma pesquisa sobre aprendizado em pequenos macacos, quase triplicaram nos últimos 16 anos.

Em 1993, quando o governo federal dos EUA criou uma agência para o assunto, a ORI (Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês), foram relatadas 86 denúncias de desvios. Em 2009, foram 217, número recorde. O país gastou cerca de US$ 110 milhões investigando esses casos. Historicamente, um terço das investigações resulta em punição --em geral, afastamento de cargos e verbas públicas.
Denúncias de fraudes no Brasil envolveram alto escalão da USP - 18/08/2010:
O Brasil foi eficiente criando comitês de ética (há 592 ligados à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, a Conep), mas eles atuam principalmente aprovando estudos com voluntários e cobaias. No que se refere às fraudes, a situação é diferente. Dois casos impunes de plágio se destacaram nos últimos anos, ambos envolvendo o alto escalão da USP.

Em 2009, a reitora Suely Vilela foi denunciada por ser coautora de um trabalho que utilizava figuras de um estudo de 2003 da UFRJ. Não houve punição. O outro caso, de 2007, envolveu o diretor do Instituto de Física, Alejandro Szanto de Toledo, e Nelson Carlin Filho, vice-diretor da Fuvest. Eles publicaram um artigo que tinha parágrafos inteiros copiados de trabalho anterior de um colega.


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nem tudo o que parece é Ciência

Fiquei sabendo via twitter do programa "Fronteiras da Ciência", realizado pela rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O programa tem a nobre missão de separar a Ciência da pseudociência, a realidade da ficção. Você pode ouvir os podcasts (gravações das entrevistas) de aproximadamente 30 minutos  aqui, e há também leituras complementares.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

sábado, 31 de julho de 2010

Sobre a situação científica do Brasil

Duas notas da Folha Online sobre o encontro da SBPC. A primeira é sobre o desempenho de várias áreas acadêmicas no Brasil:
Se todos os pesquisadores brasileiros produzissem como os da área de ciências agrárias, o peso científico do país hoje seria equivalente ao da França. Já campos como psicologia, economia e ciências sociais, bem inferiores à média nacional, puxam a produtividade para baixo.

Os dados que permitem essas conclusões foram apresentados pelo presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Carlos Aragão, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal (RN). A medida usada nas estatísticas é o número de artigos publicados em revistas científicas mundo afora, indexados (cadastrados) em bases de dados internacionais. (...)

Segundo ele [o bioquímico Rogério Meneghini], a baixa produção das ciências humanas se relaciona com a dedicação maior dos pesquisadores da área aos livros e coletâneas. "Em outros lugares, como a Espanha, não é assim. Mesmo na França, de onde o Brasil herdou boa parte dessa sua maneira de fazer ciências humanas, o perfil da produção já está mudando", diz.

Além disso, faria bem para a ciência brasileira que todas as suas áreas passassem a publicar mais em inglês, dizem os especialistas.
Há um infográfico interessante na matéria. A outra notícia é sobre a queda em 80% no número de bolsas de doutorado integral no exterior (onde o pesquisador completa os estudos e conquista um diploma em universidades fora do Brasil):
Segundo dados apresentados na conferência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Natal, entre 1992 e 2007 o número de bolsas do CNPq no exterior caiu de quase 2.800 para cerca de 500 --um tombo de mais de 80%.

Já o doutorado-sanduíche, em que o aluno fica parte do curso fora do Brasil, teve um ligeiro crescimento no período. Hoje há cerca de 5.000 alunos na modalidade. Desde 2007, as bolsas integrais recebem menos dinheiro do CNPq do que as chamadas bolsas-sanduíche.





sexta-feira, 30 de julho de 2010

[curta ciência] I see dead viruses

Três comentários rápidos:


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Menos verde no mar

O fitoplâncton, responsável pela produção de aproximadamente metade da matéria orgânica terrestre e da maioria do seu oxigênio, está desaparecendo. Seu número tem diminuído 1% por ano nos últimos cem anos, e essa taxa aumenta com o aumento da temperatura. Há regiões em que o declínio das populações de fitoplâncton é maior - próximo aos polos e em mar aberto - e outras em que houve um aumento, como em áreas costeiras com certos dejetos industriais. Esses resultados se baseiam em medidas de transparência da água, medição direta da quantidade de clorofila em amostras e dados de satélite.

Outro trabalho do mesmo grupo focou na distribuição de várias espécies marinhas, desde corais e algas até tubarões e baleias. Os animais com maior mobilidade como a baleia, o atum e a lula se concentram e áreas mais longe do Equador, e apesar de haver vários outros fatores relacionados com a distribuição dessas espécies (como diversidade ecológica, disponibilidade de oxigênio), a variável que mais influencia os padrões observados é a temperatura na superfície marinha.


Fitoplâncton, cuja clorofila é visível via satélite


Fonte: Not Exaclty Rocket Science (by Ed Yong)
Artigo Original: doi:10.1038/nature09268 e doi:10.1038/nature09329 (acesso restrito a assinantes)
Crédito da Imagem: NASA Earth Observatory Collection e Harry Taylor/Nikon Small World (via Science NOW)
Para saber mais: Science Daily (aqui também), Science NOW, Nature News

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