Mostrando postagens com marcador notícias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador notícias. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vinte anos de Curso de Ciências Moleculares, minha primeira Alma Mater

A última edição do Jornal da USP (Ano XXVI nº 930 de 04 a 10 de julho de 2011) publica algumas reportagens sobre o Curso de Ciências Moleculares - onde me formei em 1999, quando ainda se chamava "Curso Experimental de Ciências Moleculares" - por ocasião dos seus 20 anos de existência.

Ciências Moleculares, 20 anos de trabalho (LUCILE MARIA FLOETER-WINTER):
No ciclo Básico, os alunos são expostos às diferentes linguagens das áreas específicas – Biologia, Física, Química, Matemática e Computação. Nesses quatro semestres iniciais, a turma formada atende às disciplinas de forma unida. (...) Os alunos não sabem tudo, mas sabem quem sabe. Além disso, sabem a linguagem que devem utilizar para obter as informações necessárias em cada problema. Como explicitar o problema e como entender a resposta. Essa é a linguagem interdisciplinar. Assim, é possível descrever matematicamente como um processo inflamatório se instala ou como se analisa a estrutura física de uma proteína.

No ciclo Avançado, juntamente com um professor-orientador, a principal atividade do aluno será o desenvolvimento de um projeto de iniciação científica, complementado por disciplinas oferecidas pelas diversas unidades da Universidade. O curso de Ciências Moleculares vem mostrando a importância da mobilidade dentro da própria Universidade, a universalidade da ciência posta em prática. Cada aluno propõe seu currículo e, assim, cada aluno apresenta um currículo único, exclusivo, que o habilita a ocupar um nicho único. Essa formação diferenciada permite a atuação em áreas distintas e carentes.
Um trabalho pioneiro, duas décadas depois (SYLVIA MIGUEL):
Durante a cerimônia no Camargo Guarnieri, o físico Henrique Fleming, docente do Instituto de Física da USP e do Curso de Ciências Moleculares, foi chamado pelos colegas como o “símbolo” do curso. “Professor e pesquisador de excelente qualidade, ele é curioso e capaz de, ao mesmo tempo, conduzir e ser conduzido”, disse o professor Lobo.

“Talvez esse tenha sido o maior projeto de minha vida. Todas as minhas prioridades se redirecionaram e vi os resultados do trabalho através dessas pessoas que tiveram seus caminhos ‘facilitados’ pelo Curso de Ciências Moleculares”, declarou emocionado o professor Fleming.
Houve também recentemente uma reportagem no Globo Universidade sobre o curso. A mesma reportagem está no Youtube (parte 1 e parte 2), talvez incompleta.

(gracias Daniel)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Bolsas de doutorado da Fullbright nos Estados Unidos

Da Agência FAPESP, ficamos sabendo que até o dia 30 de abril, formados e formandos podem se inscrever na Comissão Fulbright para as bolsas de doutorado "International Fulbright Science and Technology Award for Outstanding Foreign Students". Os candidatos devem ter cidadania brasileira, um currículo impecável e domínio comprovado da língua inglesa. Os interessados devem se graduar antes de agosto de 2012 e ser basicamente das áreas de ciências exatas ou biológicas.

Para quem quiser saber mais sobre doutorados nos EUA - inclusive outras formas de financiamento, já que o Fullbright é bem restrito - eu sugiro os seguintes posts do Ars Physica:

(1) Aplicando para doutorado em física nos EUA
(2) Salário num doutorado em física nos EUA

Mais informações: Fullbright Brasil

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E pur si muove

Três notícias na Folha.com sobre fraudes científicas. O título acima quer dizer "e ainda assim, move-se", pois apesar de sempre ter havido fraudes cedo ou tarde elas são detectadas. E uma fraude nunca é pervasiva o suficiente para questionar a legitimidade de toda a área, graças à competição entre cientistas.

Cresce a fraude em ciência - e no Brasil? - 18/08/2010:
Preste atenção neste assunto: fraudes em pesquisas científicas. Elas estão aumentando e vão continuar assim, dada a competição feroz por reputação e verbas nesse campo da criatividade humana. Nada menos que 72% dos pesquisadores incluídos numa revisão ampla de 2009 afirmam já ter presenciado algum tipo de má conduta. As falcatruas vão de pecados veniais, como a inclusão honorária de autores que não participaram de um estudo, a pecados capitais, como falsificar ou fabricar dados.

Nas faculdades de medicina brasileiras, por exemplo, é prática comum pôr o nome do chefe da cadeira entre as assinaturas de um artigo científico, mesmo que ele não tenha noção do que vai escrito ali. Há quem defenda a aberração, argumentando que o fulano criou as condições para que a pesquisa fosse realizada.
Má conduta científica triplica em 16 anos nos EUA - 18/08/2010:
Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores. Casos como o de Marc Hauser, biólogo afastado de Harvard há uma semana acusado de distorcer dados em uma pesquisa sobre aprendizado em pequenos macacos, quase triplicaram nos últimos 16 anos.

Em 1993, quando o governo federal dos EUA criou uma agência para o assunto, a ORI (Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês), foram relatadas 86 denúncias de desvios. Em 2009, foram 217, número recorde. O país gastou cerca de US$ 110 milhões investigando esses casos. Historicamente, um terço das investigações resulta em punição --em geral, afastamento de cargos e verbas públicas.
Denúncias de fraudes no Brasil envolveram alto escalão da USP - 18/08/2010:
O Brasil foi eficiente criando comitês de ética (há 592 ligados à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, a Conep), mas eles atuam principalmente aprovando estudos com voluntários e cobaias. No que se refere às fraudes, a situação é diferente. Dois casos impunes de plágio se destacaram nos últimos anos, ambos envolvendo o alto escalão da USP.

Em 2009, a reitora Suely Vilela foi denunciada por ser coautora de um trabalho que utilizava figuras de um estudo de 2003 da UFRJ. Não houve punição. O outro caso, de 2007, envolveu o diretor do Instituto de Física, Alejandro Szanto de Toledo, e Nelson Carlin Filho, vice-diretor da Fuvest. Eles publicaram um artigo que tinha parágrafos inteiros copiados de trabalho anterior de um colega.


sábado, 31 de julho de 2010

Sobre a situação científica do Brasil

Duas notas da Folha Online sobre o encontro da SBPC. A primeira é sobre o desempenho de várias áreas acadêmicas no Brasil:
Se todos os pesquisadores brasileiros produzissem como os da área de ciências agrárias, o peso científico do país hoje seria equivalente ao da França. Já campos como psicologia, economia e ciências sociais, bem inferiores à média nacional, puxam a produtividade para baixo.

Os dados que permitem essas conclusões foram apresentados pelo presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Carlos Aragão, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal (RN). A medida usada nas estatísticas é o número de artigos publicados em revistas científicas mundo afora, indexados (cadastrados) em bases de dados internacionais. (...)

Segundo ele [o bioquímico Rogério Meneghini], a baixa produção das ciências humanas se relaciona com a dedicação maior dos pesquisadores da área aos livros e coletâneas. "Em outros lugares, como a Espanha, não é assim. Mesmo na França, de onde o Brasil herdou boa parte dessa sua maneira de fazer ciências humanas, o perfil da produção já está mudando", diz.

Além disso, faria bem para a ciência brasileira que todas as suas áreas passassem a publicar mais em inglês, dizem os especialistas.
Há um infográfico interessante na matéria. A outra notícia é sobre a queda em 80% no número de bolsas de doutorado integral no exterior (onde o pesquisador completa os estudos e conquista um diploma em universidades fora do Brasil):
Segundo dados apresentados na conferência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Natal, entre 1992 e 2007 o número de bolsas do CNPq no exterior caiu de quase 2.800 para cerca de 500 --um tombo de mais de 80%.

Já o doutorado-sanduíche, em que o aluno fica parte do curso fora do Brasil, teve um ligeiro crescimento no período. Hoje há cerca de 5.000 alunos na modalidade. Desde 2007, as bolsas integrais recebem menos dinheiro do CNPq do que as chamadas bolsas-sanduíche.





quinta-feira, 22 de julho de 2010

A versatilidade dos anti-maláricos

Uma turista de 16 anos foi receitada a tomar cloroquina para evitar contrair malária em sua viagem à Costa Rica. Mas em vez de tomar a dose profilática recomendada de 500mg por semana, a paciente tomou 500mg por dia, durante quatro semanas, e como resultado teve seu cabelo já loiro completamente descolorido.

cabelo descolorido devido a problema nos folículos, causado pela cloroquina

Fonte: Science NOW
Artigo original: The New England Journal of Medicine

sábado, 3 de julho de 2010

Camarões gigantes, agora maiores.

Cientistas australianos aumentam tamanho de camarão gigante - Folha de São Paulo de 02/07/2010:
Cientistas australianos desenvolveram um método para satisfazer a demanda da população por camarões, uma das principais tradições do Natal local. Após dez anos de pesquisa, conseguiram, por meio de cruzamentos, criar uma variante maior de camarão-tigre-gigante (Penaeus monodon). (...) A variante representa um aumento em produtividade de 5 toneladas por hectare para 17,5 toneladas por hectare.
(...)

O camarão-tigre-gigante, que pode atingir 33 centímetros, é criado em açudes de água salgada a prova de seca em um sistema de circuito fechado. "A vantagem é que é possível fazer isso de forma sustentável. Não é mais necessário arrastar redes pelo leito do oceano para extrair camarões", diz Lee. Os camarões são alimentados com sobras de farinha de trigo.


Camarão black tiger

Fonte: Folha de São Paulo
Crédito da imagem: World Fishing

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A frugalidade dos piolhos

O genoma do piolho de corpo de humanos (Pediculus humanus humanus) acaba de ser publicado na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), e uma das descobertas é que ele codifica para apenas um décimo do número de recepetores de odor e de sabor de outros insetos. Ainda não está claro de quais compostos o piolho reconhece o cheiro ou o gosto, mas parece que eles não tem a menor idéia do sabor de sua única refeição - o sangue humano.

Seu genoma possui apenas 108 milhões de pares de bases (quase trinta vezes menor que o nosso), o que quer dizer que eles possuem poucos genes que os ajudariam a se desintoxicar de pesticidas ou repelentes. O piolho também é completamente dependente da bactéria candidatus Riesia pediculicola para produzir vitamina B5. Essa bactéria endossimbionte também teve seu genoma seqüenciado, e descobriram que ela não tem alguns genes de resistência a antibióticos - que podem então ser usados contra os piolhos.



piolho de corpo ou piolho de cabeça (ambos são idênticos visualmente)


Fonte: ScienceNOW, blog 80 beats (Andrew Moseman)
Artigo original: PNAS  doi:
Crédito da imagem: CDC (Centro para Controle e Prevenção de Enfermidades dos EUA) (via wikipedia ou ScienceNOW)

sábado, 19 de junho de 2010

Aumentam casos de coqueluche nos Estados Unidos

Coqueluche, ou tosse convulsa, é a doença mais facilmente evitável por vacinação - na minha época chamava-se vacina tríplice, agora é "tetravalente" ou DTP - e pode ser erradicada se a vacinação for eficiente. As vacinas não produzem imunidade permanente, assim que além das doses que devemos tomar quando crianças, pais, professores e outras pessoas que tenham contato constante com crianças também devem se vacinar.

No estado da Califórnia, EUA, ocorrem surtos epidêmicos de coqueluche a cada cinco anos, aproximadamente, e o último foi em 2005 quando houveram mais de três mil casos informados e sete mortes. Só neste ano já morreram cinco pessoas de coqueluche no estado, entre elas dois bebês. Em relação ao ano passado, o número de altas hospitalares dobrou nos primeiros meses, e o número de infectados até agora é três vezes o esperado.

Fonte: CNN

Related Posts with Thumbnails