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sábado, 29 de janeiro de 2011

Momento em que o parasita da malária invade uma célula

No site da New Scientist há um vídeo do momento em que o parasita responsável pela malária, o Plasmodium, invade uma hemácia humana. O Vídeo foi criado a partir de fotografias de vários eventos de invasão, usando fármacos para dificultar a entrada e a saída do parasita (e assim aumentar a chance de uma boa foto ;). Ao final pode-se observar que a hemácia invadida está repleta de novos parasitas em seu interior (depois de invadir a célula, o parasita se multiplica em seu interior até a célula explodir).




Plasmodium invadindo hemácia (via New Scientist)


Notícia e crédito da imagem: New Scientist
Artigo original: Cell Host & Microbe, Volume 9, Issue 1, doi:10.1016/j.chom.2010.12.003

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Novidades da semana

Trechos de reportagens de jornais, comentando algumas novas pesquisas.

Nova droga elimina resistência do parasita causador da malária (Folha, 03/09/2010):
Uma nova droga promete acabar com a resistência a medicamentos dos parasitas da malária, mal que causa 800 mil mortes por ano. A NITD609 teve efeito contra a doença em animais de laboratório e muito em breve será testada em humanos.

As drogas antimaláricas mais recentes são baseadas na planta artemísia, tradicional da medicina chinesa. Ela hoje é administrada em 100 milhões de pacientes anualmente, mas o parasita já desenvolve resistência. Os causadores da malária são seres de apenas uma célula, especialistas em evitar ataques: os plasmódios.
Descoberto novo tipo de composto para o combate da malária (Estadão, 01/09/2010) (mesma notícia acima):
O estudo foi feito por meio de uma triagem, por meio de testes em células, de milhares de produtos naturais registrados na biblioteca da Novartis, em busca de substâncias com conhecida ação contra o parasita causador da malária, o Plasmodium falciparum. A primeira peneira gerou uma relação de 275 compostos.

Sucessivas triagens eliminaram os que tinham pouco efeito contra parasitas resistentes a tratamento ou que eram tóxicos para células de animais mamíferos. Dezessete substâncias restaram no final.

Uma avaliação desse grupo final apontou para um candidato específico, membro de uma classe de moléculas que nunca havia sido associada ao combate à malária. Uma equipe de químicos sintetizou então cerca de 200 derivados da molécula, a fim de otimizar o perfil de segurança e as propriedades farmacológicas. Após vários testes, a substância NITD609 foi apresentada como a melhor candidata para os experimentos em seres humanos.
Especialistas advertem sobre riscos de turismo de células-tronco (Estadão, 01/09/2010) (eu já havia comentado esse problema no outro blog):
Milhares de pessoas estão colocando sua saúde e as economias de toda uma vida em risco para viajar a clínicas particulares de vários países que oferecem tratamentos com células-tronco não aprovados e potencialmente perigosos, alertaram especialistas britânicos.

Um painel de especialistas mencionou clínicas particulares na Alemanha e na China aonde existem "turistas de células-tronco" para receber tratamentos não autorizados. Mas eles também afirmaram que há 700 centros similares em todo o mundo, que oferecem terapias celulares sem aprovação.

Apesar da falta de evidências científicas de que esses tratamentos funcionam, os pacientes com enfermidades letais e sem cura, como o Mal de Parkinson ou a cegueira, estão sendo atraídos para que gastem dezenas de milhares de dólares com poucas possibilidades de êxito.
Israelenses eliminam células com HIV sem atingir as saudáveis (Folha, 03/09/2010):
Cientistas israelenses anunciaram que conseguiram destruir em laboratório células infectadas pelo vírus da Aids sem afetar as células saudáveis, informa o jornal "Haaretz". Os cientistas, da Universidade Hebraica de Jerusalém, destacaram que criaram um tratamento à base de peptídios (polímeros de aminoácidos) que provocam a autodestruição das células infectadas pelo vírus HIV.
Evolução divergente (Agência FAPESP, 03/09/2010):
Uma pesquisa internacional com participação brasileira mostrou que bactérias idênticas cultivadas em um mesmo ambiente adotam diferentes estratégias de adaptação. No estudo, uma população da bactéria Escherichia coli evoluiu de forma divergente para se adaptar às condições do mesmo meio. Depois de 37 dias de crescimento contínuo, os cientistas isolaram diversos mutantes com diferenças importantes em genes regulatórios. Os resultados do experimento foram publicados na revista Genome Biology and Evolution.

Segundo ele [Beny Spira, professor do Departamento de Microbiologia do ICB/USP], no experimento de evolução realizado com a Escherichia coli foi observado um processo de divergência simpática – isto é, em um mesmo ambiente, a partir de um inóculo inicial geneticamente homogêneo, uma população de bactérias idênticas evoluiu de forma divergente para melhor se adaptar às condições do meio.

“A grande novidade é que a evolução ocorreu de forma divergente. Em um ambiente constante, sem barreiras físicas, observamos estratégias distintas de adaptação que resultaram em mutações em diferentes genes regulatórios”, disse à Agência FAPESP.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

A frugalidade dos piolhos

O genoma do piolho de corpo de humanos (Pediculus humanus humanus) acaba de ser publicado na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), e uma das descobertas é que ele codifica para apenas um décimo do número de recepetores de odor e de sabor de outros insetos. Ainda não está claro de quais compostos o piolho reconhece o cheiro ou o gosto, mas parece que eles não tem a menor idéia do sabor de sua única refeição - o sangue humano.

Seu genoma possui apenas 108 milhões de pares de bases (quase trinta vezes menor que o nosso), o que quer dizer que eles possuem poucos genes que os ajudariam a se desintoxicar de pesticidas ou repelentes. O piolho também é completamente dependente da bactéria candidatus Riesia pediculicola para produzir vitamina B5. Essa bactéria endossimbionte também teve seu genoma seqüenciado, e descobriram que ela não tem alguns genes de resistência a antibióticos - que podem então ser usados contra os piolhos.



piolho de corpo ou piolho de cabeça (ambos são idênticos visualmente)


Fonte: ScienceNOW, blog 80 beats (Andrew Moseman)
Artigo original: PNAS  doi:
Crédito da imagem: CDC (Centro para Controle e Prevenção de Enfermidades dos EUA) (via wikipedia ou ScienceNOW)

sábado, 19 de junho de 2010

Aumentam casos de coqueluche nos Estados Unidos

Coqueluche, ou tosse convulsa, é a doença mais facilmente evitável por vacinação - na minha época chamava-se vacina tríplice, agora é "tetravalente" ou DTP - e pode ser erradicada se a vacinação for eficiente. As vacinas não produzem imunidade permanente, assim que além das doses que devemos tomar quando crianças, pais, professores e outras pessoas que tenham contato constante com crianças também devem se vacinar.

No estado da Califórnia, EUA, ocorrem surtos epidêmicos de coqueluche a cada cinco anos, aproximadamente, e o último foi em 2005 quando houveram mais de três mil casos informados e sete mortes. Só neste ano já morreram cinco pessoas de coqueluche no estado, entre elas dois bebês. Em relação ao ano passado, o número de altas hospitalares dobrou nos primeiros meses, e o número de infectados até agora é três vezes o esperado.

Fonte: CNN

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Malária: mais perto de uma vacina e de novos medicamentos

Três notinhas sobre pesquisas recentes, divulgadas no Science Daily:
  • O parasita da malária, o plasmódio, vive dentro das hemácias (também chamados de eritrócitos ou glóbulos vermelhos), que o parasita digere para construir suas próprias proteínas. Ao atingir um tamanho adequado ele se divide e rompe a hemácia, invadindo outros glóbulos vermelhos em seguida. Um grupo de pesquisadores do Canadá, Austrália, Polônia e EUA determinaram a estrutura tridimensional de duas dessas "enzimas digestivas" do parasita (as aminopeptidases), ajudando assim no desenvolvimento de medicamentos que bloqueiem a atividade dessas enzimas. Eles mostraram também que os parasitas são incapazes de sobreviver na ausência dessas enzimas. (fonte: Science Daily; artigo original: )

  • Outro grupo de cientistas identificou proteínas produzidas pelo plasmódio que são eficazes em promover uma resposta imune que proteja as pessoas da doença. Eles fizeram isso compilando dados da literatura científica que estudaram a relação entre os anticorpos produzidos pelo sistema imune na fase em que os plasmódios estão invadindo as hemácias e a habilidade desses anticorpos em proteger da malária. Os autores identificaram que de um total de aproximadamente 100 proteínas, apenas seis haviam sido estudadas. Essas proteínas podem ser utilizadas na fabricação de uma vacina. (fonte: Science Daily; artigo original: doi:10.1371/journal.pmed.1000218)

  • A malária é transmitida através das fêmeas dos mosquitos Anopheles, quando ela precisa se alimentar de sangue para produzir os ovos. Em tese é possível criar um "vacinador voador", ou seja, a vacina é aplicada através da picadura do mosquito. E tal mosquito transgênico foi criado por um grupo de pesquisadores japoneses, que fizeram com que as glândulas salivares de um mosquito do gênero Anopheles expressassem uma vacina experimental para a leishmaniose. Apesar de ser apenas um candidato de vacina (e note que não é para malária), a proteína SP15 aplicada através da picada do mosquito foi capaz de estimular a produção de anticorpos em camundongos. Essa técnica de engenharia genética pode levar a vacinas muito mais baratas (de graça, uma vez que os mosquitos geneticamente modificados sejam introduzidos no ambiente), indolores e focadas na população-alvo: pessoas que vivem em zonas endêmicas receberão várias doses da vacina. Porém ainda é apenas um modelo, dado que pode gerar vários questionamentos éticos - pessoas serão "vacinadas" sem consentimento e descontroladamente, e poderão recusar a liberação dos mosquitos em sua área. (fonte: Science Daily; artigo original: doi:10.1111/j.1365-2583.2010.01000.x)


Crédito da imagem: Why Files


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